Os créditos da Reforma Tributária estão mudando a forma como distribuidoras e atacadistas da Bahia devem escolher seus fornecedores. Por muito tempo, essa escolha foi simples: quem vende mais barato, ganha o pedido.
Porém, essa lógica não é mais suficiente. Assim, quem negocia com fornecedores de portes e regimes tributários diferentes vai sentir essa mudança primeiro.
A partir de agora, o crédito de CBS e IBS entra na conta do custo real. Afinal, ele existe em cada compra que sua empresa faz. Por isso, nem sempre a proposta mais barata na etiqueta é a mais barata no fim das contas.
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Como os créditos da Reforma Tributária mudam a conta do fornecedor
Com a Reforma, o CBS e o IBS passam a gerar crédito para quem compra. Ou seja, esses tributos são a Contribuição sobre Bens e Serviços e o Imposto sobre Bens e Serviços. Assim, funciona de forma parecida com o ICMS não cumulativo de hoje, mas de maneira mais ampla.
Na prática, isso significa que o valor pago numa compra não é só custo. Além disso, parte dele pode voltar como crédito, abatendo o que sua empresa deve recolher depois.
O problema é que esse crédito não é igual em todas as propostas. Por isso, a decisão de compra precisa juntar quem cuida das compras, do financeiro e do fiscal. Afinal, o desconto que aparece na proposta é só uma parte da conta.
Exemplo prático de créditos da Reforma Tributária: nem sempre o menor preço vence
Por exemplo, imagine sua distribuidora comparando duas propostas para o mesmo produto. Qualidade, frete e prazo de pagamento são equivalentes — a diferença está só no regime tributário de cada fornecedor:
Fornecedor do Simples Fornecedor do Regular
Preço da compra R$ 10.500 R$ 12.000
Crédito aproveitável R$ 500 R$ 2.400
Custo após o crédito R$ 10.000 R$ 9.600
Nesse exemplo, o fornecedor mais caro na etiqueta acaba sendo R$ 400 mais barato depois do crédito. Mesmo assim, isso acontece com um desembolso inicial maior.
Contudo, os valores são apenas ilustrativos. Ainda assim, o raciocínio é real: comparar só o preço da nota pode levar sua empresa a pagar mais do que precisaria.
Por que os créditos da Reforma Tributária pesam mais pro atacadista da Bahia
Boa parte da cadeia de distribuição baiana é formada por pequenos e médios fornecedores do Simples Nacional. Por exemplo, produtores regionais e distribuidoras locais de menor porte fazem parte desse grupo.
Fornecedor do Simples recolhe CBS e IBS dentro da guia única. Consequentemente, o crédito que ele repassa pra quem compra fica limitado a esse valor. Geralmente, é menor que o de um fornecedor do regime regular.
Isso não significa abandonar o fornecedor do Simples. No entanto, muitas vezes o preço, o prazo ou a proximidade ainda compensam. Significa apenas que essa conta agora precisa ser feita de forma consciente.
Some-se a isso um fator da transição: o IBS só substitui totalmente o ICMS a partir de 2033. Até lá, o atacadista baiano convive com o ICMS-ST e as regras do RICMS/BA. Ao mesmo tempo, já precisa considerar os novos créditos. São dois sistemas em paralelo — e isso aumenta a complexidade da escolha entre fornecedores.
O momento do crédito importa tanto quanto o valor
Não basta saber quanto de crédito uma compra gera. Também é preciso saber quando esse crédito pode ser aproveitado de fato.
Como regra geral, esse direito está ligado à extinção do débito tributário da operação. Isso pode acontecer por pagamento, compensação ou outras formas previstas em lei.
O chamado split payment entra nessa engrenagem. Por exemplo, nas operações em que for aplicado, ele separa e recolhe os tributos já no momento do pagamento. Consequentemente, isso reduz a dependência de que o fornecedor recolha tudo depois.
Na prática, isso aproxima o momento da compra do momento em que o crédito vira caixa disponível. Isso interessa muito a quem trabalha com fluxo de caixa apertado, como é comum no atacado.
Como preparar sua distribuidora para aproveitar os créditos da Reforma Tributária
- Atualize o cadastro dos seus fornecedores com o regime tributário de cada um
- Antes de fechar uma compra grande, simule o custo real — preço menos crédito aproveitável
- Continue considerando prazo de pagamento, qualidade e segurança do fornecimento
- Acompanhe a documentação de cada compra para confirmar que o crédito projetado será aproveitado
- Durante a transição, controle tanto o ICMS-ST quanto os novos créditos de CBS/IBS
Conte com a Conta1 Contabilidade
Portanto, reavaliar fornecedores considerando crédito tributário exige dados organizados. É exatamente aí que a Central Fiscal do Cliente ajuda. Com as notas fiscais capturadas em tempo real, fica mais fácil acompanhar o crédito de cada compra.
Quer entender como os créditos da Reforma Tributária impactam a escolha de fornecedores do seu atacado? Fale com a Conta1 Contabilidade e planeje suas compras com mais segurança.
Fonte
Reportagem baseada em declarações de Luís Garcia, advogado tributarista pela USP/SP e sócio do Tax Group. Além disso, ele é especialista em Governança e Compliance. Publicada pelo Portal Contábeis em 21/09/2026.


